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Categoria: Patologias Infecciosas

Candidíase Cutânea

Infecção oportunista causada por leveduras do gênero Candida — principalmente C. albicans — que colonizam naturalmente a pele, mucosas e trato gastrointestinal como commensais. A doença clínica surge quando há desequilíbrio da microbiota normal ou compromisso da imunidade local ou sistêmica. Na pele, afeta preferencialmente dobras (áreas quentes e úmidas) — intertrigo candidósico — e mucosas (candidíase oral, vulvovaginal). A Candida produz proteases e fosfolipases que degradam a barreira cutânea. Outras Informações: As lesões satélites pustulosas são o sinal clínico diferencial mais valioso do intertrigo candidósico — ausentes em intertrigo por Gram-negativos, eritrasma e dermatite seborreica. A candidíase vulvovaginal recorrente (≥4 episódios/ano) afeta 5–8% das mulheres e requer terapia supressiva com fluconazol semanal por 6 meses após controle. Em pacientes com SIDA, candidíase oral é marcador de progressão imunológica e indica contagem de CD4

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Condiloma Acuminado

Lesão proliferativa benigna da mucosa e pele anogenital causada por tipos de HPV de baixo risco oncogênico — principalmente HPV 6 e 11 (90% dos casos), que raramente progridem para neoplasia. A infecção genital por HPV é a IST (Infecção Sexualmente Transmissível) mais comum no mundo — estima-se que 80% dos indivíduos sexualmente ativos se infectem em algum momento da vida. O HPV genital de alto risco (16, 18, 31, 33, 45) está associado a câncer cervical, vulvar, peniano, anal e orofaríngeo — distinto dos tipos que causam condiloma. Outras Informações: A vacina HPV (Gardasil-9®) protege contra 9 tipos de HPV (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58) e está disponível no Calendário Nacional de Vacinação para meninas e meninos de 9–14 anos — prevenção da maioria dos condilomas e canceres relacionados ao HPV. O HPV não tem tratamento etiológico (antiviral específico) — o sistema imune resolve a maioria das infecções em 1–2 anos; o tratamento é para as lesões. Preservativo reduz mas não elimina transmissão (HPV por contato de pele).

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Cromoblastomicose

Micose subcutânea crônica causada por fungos melanizados (dematiáceos) da família Herpotrichiellaceae — principais agentes: Fonsecaea pedrosoi (mais comum no Brasil), Cladophialophora carrionii, Phialophora verrucosa. A inoculação ocorre por traumatismo com material vegetal contaminado. A lesão característica são lesões verrucosas crônicas, nodulares ou em placa, com estruturas diagnósticas: 'corpos escleróticos de Medlar' (células fumagoides em grãos de pimenta-do-reino, visíveis em preparação direta a fresco). Outras Informações: Os 'corpos escleróticos de Medlar' — estruturas fumagoides marrons em forma de tijolo, visíveis em preparação a fresco com KOH — são patognomônicas de cromoblastomicose e permitem diagnóstico imediato e de baixo custo mesmo em áreas com limitação de recursos. Brasil é o país com maior número de casos de cromoblastomicose reportados no mundo. O tratamento é prolongado, caro e difícil — recidivas são frequentes mesmo após anos de antifúngico.

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Demodiciose

Infestação sintomática por ácaros do gênero Demodex — D. folliculorum (folículo piloso) e D. brevis (glândula sebácea) — que são commensais normais da pele humana em densidade fisiológica (1–2 ácaros/cm²). A doença clínica (demodiciose) surge quando há superpopulação (>5 ácaros/cm² ou >5 por folículo) por imunossupressão ou alteração do microambiente sebáceo. Os ácaros demodex são também coatores na patogênese da rosácea (hiperexpressão de catelicidinas via bactéria endossimbiótica Bacillus oleronius). Outras Informações: A ivermectina tópica 1% (Soolantra®) foi aprovada pelo FDA em 2014 especificamente para rosácea papulopustulosa — e um dos mecanismos de ação é exatamente o controle do Demodex. A dermoscopia confocal e a microscopia de reflectância confocal (RCM) permitem visualizar ácaros Demodex in vivo sem biópsia — técnica emergente altamente útil para confirmar demodiciose. A blefarite por Demodex é causa subestimada de olho seco e conjuntivite crônica.

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Ectima

Infecção bacteriana ulcerativa que atinge a derme profunda, diferindo do impetigo por aprofundamento da lesão além da epiderme. Causada principalmente por Streptococcus pyogenes (EBGA) e eventualmente Staphylococcus aureus. Caracteriza-se por úlceras com crosta espessa aderente ('ostra') sobre base eritematosa endurecida, com borda levemente elevada. Cicatrizes residuais são regra. Mais comum em crianças e adultos com comprometimento da higiene, desnutrição, imunodeficiência ou dermatose prévia como porta de entrada. Outras Informações: O ectima gangrenoso por Pseudomonas aeruginosa em pacientes neutropênicos (leucemia, transplante) tem mortalidade de 50–70% sem tratamento antibiótico rápido e adequado — é emergência oncohematológica. A lesão clássica de ectima gangrenoso — centro negro com halo eritematoso violáceo — é quase patognomônica de Pseudomonas e deve disparar antibioticoterapia imediata com antipseudomonas.

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Erisipela

Infecção bacteriana aguda que acomete a derme superficial e a rede linfática cutânea, causada quase exclusivamente pelo Streptococcus pyogenes (EBGA — Estreptococo Beta-Hemolítico do Grupo A) e, mais raramente, por outros estreptococos. Caracteriza-se por placa eritematosa, quente, bem delimitada ('em chama viva') com bordas nítidas e elevadas — o limite bem definido é o diferencial clínico da celulite bacteriana (que tem bordas difusas). Frequentemente acompanhada de sintomas sistêmicos. Outras Informações: A erisipela recorrente nos membros inferiores causa dano linfático progressivo — cada episódio aumenta o risco de linfedema permanente. A profilaxia com penicilina benzatina mensal é altamente eficaz e deve ser oferecida a todos os pacientes com ≥2 episódios anuais. O diferencial com trombose venosa profunda (TVP) é crucial — a TVP não apresenta eritema brilhante com bordas nítidas nem febre tão proeminente.

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Escabiose

Dermatose parasitária causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis, que penetra na camada córnea da pele, escava túneis e deposita ovos. A reação imune a ácaros, ovos e fezes (escíbalos) produz prurido intenso de caráter imunológico (hipersensibilidade tipo IV). A transmissão é por contato direto e prolongado pele a pele. Altamente contagiosa, com prevalência global estimada de 200–300 milhões de casos/ano. Outras Informações: O prurido da escabiose persiste por 4–6 semanas após o tratamento bem-sucedido — isso é uma reação imunológica ao material morto do ácaro, não é sinal de falha terapêutica ou reinfestação. Orientar o paciente é fundamental para evitar retratamentos desnecessários. A sarna norueguesa é emergência de controle de infecção hospitalar — pacientes devem ser isolados imediatamente.

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Esporotricose

Micose subcutânea crônica causada pelo complexo Sporothrix schenckii, fungo dimórfico (filamentoso no ambiente, leveduriforme no hospedeiro). No Brasil, a transmissão é predominantemente zoonótica via arranhadura ou mordida de gato infectado (Sporothrix brasiliensis — espécie mais agressiva, endêmica no Rio de Janeiro e expandindo para outros estados). É considerada problema de saúde pública no RJ — centenas de casos humanos anuais com epidemia felina adjacente. Afeta a pele e tecido subcutâneo, com padrão linfangítico característico. Outras Informações: A epidemia de esporotricose felino-humana no Rio de Janeiro é considerada a maior epidemia urbana de esporotricose zoonótica da história — iniciou nos anos 1990 e persiste sem controle efetivo. O controle dos gatos infectados e o tratamento adequado dos animais são fundamentais para quebrar a cadeia epidemiológica. S. brasiliensis tem maior virulência, maior resistência relativa ao itraconazol e maior frequência de formas graves que o S. schenckii clássico.

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Foliculite

Inflamação do folículo piloso, infecciosa ou não infecciosa, resultando em pápulas e pústulas perifoliculares. A foliculite bacteriana superficial (ostiofoliculite de Bockhart) é a forma mais comum — S. aureus é o agente mais frequente. Formas especiais incluem: foliculite por Malassezia (fungal, costas e tórax — piora com antibióticos e corticoides), foliculite por gram-negativos (Pseudomonas — banheira de hidromassagem), foliculite eosinofílica (imunossuprimidos — HIV CD4

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Furúnculo

Infecção estafilocócica aguda profunda que acomete todo o folículo piloso e o tecido perifolicular adjacente, resultando em nódulo inflamatório doloroso com núcleo necrótico central (carnegão). Carbúnculo é a confluência de múltiplos furúnculos adjacentes formando placa inflamatória com múltiplos núcleos e abertura em crivo, podendo cursar com sintomas sistêmicos. S. aureus é o agente em mais de 90% dos casos, com prevalência crescente de MRSA-CA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina comunitário) em alguns países. Outras Informações: Furúnculo de lábio superior, nariz ou região medial da face NUNCA deve ser espremido — risco de disseminação retrógrada via veia angular para o seio cavernoso, causando tromboflebite séptica do seio cavernoso (condição com mortalidade >30%). Furunculose recorrente deve sempre motivar investigação de portador nasal de S. aureus — mucosa nasal é o reservatório mais frequente. A descolonização com mupirocina intranasal é altamente eficaz (redução de recidivas em 70%).

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Hanseníase

Doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, bacilo álcool-ácido resistente com tropismo exclusivo por células de Schwann e macrófagos da pele e nervos periféricos. O espectro clínico depende da resposta imunológica do hospedeiro: da forma tuberculoide (alta resistência, poucos bacilos) à virchowiana (baixa resistência, alta carga bacilar). O Brasil é o segundo país do mundo em número de casos novos, com a Paraíba como estado endêmico. Outras Informações: A hanseníase é a principal causa de neuropatia periférica tratável no Brasil. A doença é estigmatizante historicamente — seu nome técnico 'lepra' foi substituído justamente para combater o preconceito. As reações hansênicas são emergências neurológicas que podem ocorrer durante ou após o tratamento e causam dano neural irreversível se não tratadas com corticoides rapidamente. A PQT gratuita é fornecida pelo SUS em todo o território nacional.

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Herpes Simples

Infecção mucocutânea causada pelo Vírus Herpes Simples tipo 1 (HSV-1 — labial, oral, ocular) e tipo 2 (HSV-2 — genital, embora os padrões sejam crescentemente sobrepostos). Após infecção primária, o vírus estabelece latência nos gânglios sensitivos (trigêmeo para HSV-1; sacrais para HSV-2) e pode reativar periodicamente por estresse, imunossupressão, exposição solar, febre ou trauma. A primoinfecção é frequentemente assintomática; o herpes recorrente é mais leve e autolimitado. Outras Informações: O HSV-2 genital é transmitido mesmo sem lesões visíveis (shedding assintomático) — o uso de preservativos e a terapia supressiva são fundamentais para prevenção da transmissão. O herpes neonatal (adquirido durante o parto) tem mortalidade de 60% sem tratamento e sequelas neurológicas graves nos sobreviventes — cesariana eletiva é indicada quando há lesões ativas no parto. A prevalência de HSV-2 em adultos sexualmente ativos no Brasil ultrapassa 20%.

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Herpes Zoster

Doença infecciosa causada pela reativação do Vírus Varicela-Zoster (VVZ/HHV-3), após período de latência nos gânglios sensitivos espinais ou cranianos. A reativação é desencadeada por queda da imunidade celular específica ao vírus. Caracteriza-se por erupção vesicular dolorosa unilateral em distribuição dermatomal, acompanhada de dor neuropática intensa. A neuralgia pós-herpética é a principal complicação, persistindo meses a anos. Outras Informações: A vacina Shingrix® (recombinante, adjuvantada) reduziu em >90% a incidência de herpes zoster e em 89% a neuralgia pós-herpética em adultos >50 anos — é a maior revolução preventiva para esta doença. A neuralgia pós-herpética afeta 10–15% dos pacientes e é uma das dores crônicas mais debilitantes da medicina. O zoster disseminado (>20 vesículas fora do dermátomo) indica imunodeficiência grave e requer investigação.

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Impetigo

Infecção cutânea bacteriana superficial, a mais comum da infância, causada principalmente por Staphylococcus aureus (80% dos casos) e Streptococcus pyogenes (EBGA). Apresenta-se em duas formas: impetigo não bolhoso (crostoso — mais frequente, mediado por estreptococos e estafilococos) e impetigo bolhoso (exclusivamente estafilocócico, mediado por toxina esfoliativa ET-A/ET-B que clivam a desmoglina 1 epidérmica). Altamente contagioso por contato direto, especialmente em crianças. Outras Informações: O impetigo bolhoso em neonatos pode evolui para síndrome da pele escaldada estafilocócica (SSSS — Staphylococcal Scalded Skin Syndrome), com descamação em grandes lâminas em todo o corpo — emergência pediátrica. A resistência à mupirocina está crescendo em algumas regiões do Brasil — em casos recorrentes ou de difícil controle, cultura com antibiograma é recomendada.

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Larva Currens

Manifestação cutânea da estrongiloidíase causada por larvas filariformes de Strongyloides stercoralis que migram rapidamente pela pele (até 10 cm/hora — muito mais rápido que a larva migrans cutânea de ancilostomídeos). Caracteriza-se por lesão urticariforme linear e serpiginosa de progressão ultrarrápida (cm/hora), tipicamente na região perianal, glúteos e coxas — local de autoinfecção pelo ciclo de Strongyloides. Em imunossuprimidos, pode haver síndrome de hiperinfecção com disseminação massiva e sepse bacteriana associada (carreamento de bactérias intestinais pelas larvas). Outras Informações: A larva currens é distinguível da larva migrans pela velocidade de progressão — 10 cm/h vs. 1–2 cm/dia. O rastreio de estrongiloidíase em pacientes candidatos a transplante ou quimioterapia é padrão de cuidado em hospitais de referência — a síndrome de hiperinfecção por Strongyloides em imunossuprimido tem mortalidade de 70–90% quando não reconhecida. A ivermectina dose única é curativa em mais de 95% dos casos não complicados.

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Larva Migrans Cutânea

Dermatose parasitária zoonótica causada pela migração de larvas de ancilostomídeos de animais (principalmente Ancylostoma braziliense e A. caninum — parasitas de cães e gatos) na epiderme humana. O ser humano é hospedeiro acidental — as larvas penetram pela pele exposta (pés, nádegas, mãos) em contato com solo ou areia contaminada por fezes de animais infectados, migram a ~1–2 cm/dia na junção dermoepidérmica, mas são incapazes de completar o ciclo no hospedeiro humano, morrendo em semanas a meses. Outras Informações: A larva migrans cutânea é uma das dermatoses mais prevalentes nas praias do Nordeste brasileiro — chega a ser quase endêmica em algumas localidades. A ivermectina oral dose única é o tratamento ideal por sua praticidade e alta eficácia (>95% de cura). A crioterapia com nitrogênio líquido é comumente usada mas ineficaz — a larva está sempre à frente do trajeto visível, fora do alcance do criogênio. A prevenção envolve controle da população de cães e gatos e defecação responsável.

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Leishmaniose Tegumentar Americana

Doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos fêmeas infectadas (Lutzomyia longipalpis e outros). Apresenta espectro clínico variável — da forma cutânea localizada (úlcera de Bauru) à mucosa grave (forma mucocutânea ou espúndia). No Brasil, as principais espécies são L. braziliensis (forma mucosa) e L. amazonensis. Outras Informações: A forma mucocutânea (L. braziliensis) pode surgir anos após a cura da lesão cutânea inicial — todo paciente tratado de leishmaniose cutânea deve ser monitorado por 2 anos para sinais mucosos (obstrução nasal, epistaxe, disfagia). A coinfecção Leishmania + HIV é emergência de saúde pública com prognóstico grave e recidivas frequentes.

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Miíase Cutânea

Infestação de tecidos vivos ou necróticos de mamíferos por larvas (vermes) de dípteros (moscas). No Brasil, a miíase cutânea furunculoide causada pela mosca-berneira (Dermatobia hominis) é a mais prevalente — a fêmea transporta seus ovos aderidos ao abdômen de outros insetos (mosquitos), que os depositam sobre a pele humana; as larvas eclodem com o calor corporal e penetram pela pele. A miíase de ferida (Cochliomyia hominivorax — bicheira) é a principal em feridas abertas e úlceras. Outras Informações: A sensação de movimento na lesão é quase patognomônica de miíase furunculoide — os pacientes frequentemente relatam 'algo vivo se mexendo sob a pele'. A Dermatobia hominis tem distribuição pan-americana tropical, com alta prevalência em regiões de mata e campo aberto. A oclusão com vaselina é eficaz mas requer paciência — a larva pode levar 6–12 horas para emergir.

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Molusco Contagioso

Infecção cutânea benigna causada pelo Molluscipoxvírus (família Poxviridae), com replicação exclusivamente intracitoplásmica nos queratinócitos, produzindo corpos de inclusão característicos (corpos de Henderson-Patterson). Manifesta-se por pápulas perláceas umbilicadas, autolimitadas em imunocompetentes (resolução em 6–18 meses). Em imunossuprimidos (HIV), lesões são extensas, gigantes e de difícil controle. Transmitido por contato direto (fômites, piscinas, contato sexual). Outras Informações: O molusco contagioso em adultos em área genital deve ser sempre considerado DST (doença sexualmente transmissível) e deve-se rastrear outras ISTs (HIV, sífilis, gonorreia). Em crianças, lesões genitais devem levantar suspeita de abuso sexual e ser investigadas com cautela. A curetagem, embora eficaz, é dolorosa em crianças — aplicar EMLA® (anestésico tópico) 60–90 minutos antes.

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Onicomicose

Infecção fúngica das unhas, a dermatofitose mais prevalente em adultos, responsável por 50% de todas as onicopatias. Causada por dermatófitos (T. rubrum — 90% dos casos, T. mentagrophytes), leveduras (Candida sp.) e fungos filamentosos não-dermatofíticos (Fusarium, Aspergillus, Scopulariopsis). O padrão mais comum é a onicomicose subungueal distal lateral (OSDL): invasão pelo hifolomiceto que avança proximalmente pela hiponício. Outras Informações: A taxa de cura micológica com terbinafina oral chega a 75–80%, mas a cura clínica (aspecto normal da unha) pode levar 9–12 meses após o fim do tratamento — o crescimento ungueal do hálux é lento. As recidivas são frequentes (25–40% em 3 anos) porque o fungo pode persistir no ambiente (calçados) e na pele. Pulverizar antifúngico nos calçados ao final do tratamento reduz reinfecção.

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Paracoccidioidomicose

Micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis (e P. lutzii) — endêmica exclusivamente na América Latina, com Brasil responsável por 80% dos casos mundiais. A infecção ocorre por inalação de conídios do solo (fungos vivem em terra úmida e em frutos de café/algodão). A forma pulmonar aguda é frequentemente autolimitada. A doença crônica (a mais comum — 90%) tem predileção por pulmões, pele, mucosas (especialmente mucosa oral em moldura de cogumelo — lesão estomatítica moriforme), linfonodos e supra-renais. Outras Informações: A paracoccidioidomicose é a micose sistêmica mais prevalente da América Latina e a terceira causa de morte por doenças infecciosas e parasitárias de evolução crônica no Brasil. As 'células de timão de navio' — paracoccidioides em brotamento múltiplo ao redor da célula mãe — são tão características que permitem diagnóstico microscópico direto. A proteção estrogênica explica a proporção 15:1 de homens:mulheres — estudos demonstram que o estrógeno inibe a transição conídio→levedura do P. brasiliensis.

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Pediculose do Couro Cabeludo

Infestação do couro cabeludo pelo ectoparasita Pediculus humanus capitis (piolho da cabeça), inseto hematófago obrigatório que se alimenta de sangue humano e deposita seus ovos (lêndeas) firmemente aderidos às hastes dos cabelos. A transmissão é essencialmente por contato cabeça a cabeça direto — não por fômites com a frequência que se supõe. Altíssima prevalência em crianças em idade escolar (5–12 anos) de todos os estratos socioeconômicos. Outras Informações: A resistência à permetrina está crescendo globalmente — estirpes de piolhos 'super-resistentes' foram identificadas nos EUA e Europa. A dimeticona 4% (agente físico, não inseticida) é eficaz mesmo contra estirpes resistentes e segura em crianças pequenas. Lêndeas mortas (cinza) permanecem aderidas ao cabelo mesmo após tratamento bem-sucedido — não indicam falha terapêutica. A exclusão escolar não é recomendada após tratamento adequado.

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Pitiríase Versicolor

Micose superficial crônica e recidivante causada por leveduras lipofílicas do gênero Malassezia (M. globosa, M. furfur e outras espécies), fungos commensais da pele sã que, sob condições favoráveis, mudam de forma leveduriforme para micelial (pseudomicélio) e causam a doença. A Malassezia produz ácido azelaico e pityriacitrina, que inibem a tirosinase melanocítica e causam hipopigmentação (forma mais comum no verão em fototipos escuros) ou eritema com descamação fina. Outras Informações: A pitiríase versicolor é extremamente prevalente no Nordeste brasileiro pelo clima quente e úmido — é uma das dermatoses mais comuns na região. As manchas hipopigmentadas persistem por meses após a cura fúngica (não há mais fungo, mas a melanogênese foi bloqueada e leva tempo para recuperar). É uma das principais causas de diagnóstico equivocado de vitiligo na atenção básica — o sinal da lixa e a lâmpada de Wood são fundamentais para diferenciar.

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Tinha Capitis

Dermatofitose do couro cabeludo e pelo causada por Trichophyton tonsurans (microendotríquia — mais comum no Brasil e América) ou Microsporum canis (macroendotríquia — Europa e África). T. tonsurans invade o interior do pelo (endotríquia) sem destruí-lo externamente; M. canis forma bainha ao redor do pelo (ectotríquia) com fluorescência verde à lâmpada de Wood. É a dermatofitose mais comum na infância (5–15 anos), com potencial epidêmico em escolas e creches. Outras Informações: A tinha capitis é tratada EXCLUSIVAMENTE com antifúngico sistêmico — antifúngicos tópicos não penetram na haste pilosa com profundidade suficiente para cura. Esta informação é crítica e frequentemente ignorada, resultando em falha terapêutica. O quérion (inflamação exuberante) NÃO deve ser incisado (é reação imune, não abscesso bacteriano) — a incisão piora e perpetua. Corticoide + antifúngico oral é o correto.

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Tinha do Corpo (Tinea Corporis)

Dermatofitose do corpo glabro (pele sem pelos espessos), causada por fungos do gênero Trichophyton (T. rubrum, T. tonsurans), Microsporum (M. canis — transmitido por animais) e Epidermophyton. Os dermatófitos degradam a queratina como fonte nutritiva, limitando-se à epiderme superficial (não invadem derme em imunocompetentes). A lesão clássica é uma placa eritêmato-descamativa de crescimento centrífugo com bordas mais ativas e centro com tendência à cura — configuração anular. Outras Informações: A tinea incógnita é um problema crescente no Brasil decorrente do uso inadequado e irresponsável de corticoides tópicos de venda livre. O corticoide suprime a inflamação, mascara o diagnóstico, e paradoxalmente facilita a expansão fúngica — criando lesões atípicas extensas de difícil reconhecimento. A lâmpada de Wood é útil para infecções por M. canis (fluorescência verde brilhante), mas negativa para T. rubrum (não fluoresce).

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Tuberculose Cutânea

Manifestações cutâneas da infecção por Mycobacterium tuberculosis, seja por inoculação direta, extensão contígua de foco interno, disseminação hematogênica ou reação imunológica (tuberculides). Formas principais: lúpus vulgar (forma mais comum — placa eritematosa mole com geleia de maçã à diascopia), escrofulodermia (extensão de linfonodo ou osso tuberculoso para a pele — fístulas), tuberculose miliar cutânea (disseminação hematogênica em imunossuprimidos) e tuberculides (eritema indurado de Bazin, liqüenóide tuberculide, pápulo-necrótica — reação imunológica a focos internos). Outras Informações: O lúpus vulgar, se não tratado, pode progredir por décadas causando destruição facial extensa e mutilação — e tem potencial de transformação em CEC em lesões muito crônicas. O eritema indurado de Bazin é a forma mais comum de tuberculide — mas o diagnóstico requer exclusão de outras paniculites e confirmação por PCR para M. tuberculosis no tecido (cultura raramente positiva). A tuberculose cutânea é rara no Brasil em comparação com a pulmonar mas subdiagnosticada.

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Tungíase

Infestação cutânea pela fêmea grávida da pulga de areia Tunga penetrans, que penetra na pele (geralmente periungeal nos pés) e se desenvolve intraepidermicamente, crescendo até 1 cm conforme os ovos se desenvolvem. Endêmica em regiões tropicais e subtropicais da América do Sul (especialmente Nordeste brasileiro), África subsaariana e Índia. Condição crônica, frequentemente subdiagnosticada e negligenciada, associada a morbidade significativa em populações vulneráveis. Outras Informações: A tungíase é uma doença de negligência social — afeta predominantemente as camadas mais pobres da população em países tropicais. No Nordeste brasileiro, estudos em comunidades rurais encontraram prevalência de até 45–55% em crianças em idade escolar. Complicações como tétano e gangrena gasosa levam à perda de dígitos e óbito em contextos sem acesso a cuidados médicos. A prevenção é simples: calçados adequados.

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Varicela

Infecção primária pelo Vírus Varicela-Zoster (VVZ/HHV-3), altamente contagiosa, transmitida por via aérea (partículas em aerossol) e contato direto com lesões. Caracteriza-se por exantema vesicular generalizado em diferentes estágios simultâneos — o famoso 'céu estrelado' com lesões em todos os estágios evolutivos (mácula, pápula, vesícula, pústula, crosta) ao mesmo tempo. Após a infecção primária, o vírus latentiza nos gânglios sensitivos podendo reativar como herpes zoster décadas depois. Outras Informações: A vacina varicela está no Calendário Nacional de Vacinação do Brasil (12 e 15 meses). A pneumonia varicela em gestantes não tratadas tem mortalidade de até 40% — aciclovir IV é mandatório. O AAS (ácido acetilsalicílico) está absolutamente contraindicado em crianças com varicela por risco de Síndrome de Reye (encefalopatia hepática grave). A varicela congênita (infecção intrauterina no 1º–2º trimestre) causa cicatrizes, hipoplasia de membros e comprometimento neurológico.

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Verruga Vulgar (HPV cutâneo)

Proliferação benigna da epiderme causada pela infecção por tipos de Papilomavírus Humano (HPV) de baixo risco oncogênico — principalmente HPV 1, 2, 4, 27 e 57 para verrugas comuns; HPV 3 e 10 para verrugas planas; HPV 1 para verrugas plantares. O HPV infecta queratinócitos basais por microlesões e induz hiperproliferação sem penetrar a membrana basal. As verrugas cutâneas (diferentes do condiloma — HPV 6/11 e 16/18) são geralmente benignas e com resolução espontânea em 2 anos em imunocompetentes. Outras Informações: Os pontos negros nas verrugas vulgares são capilares trombosados na superfície da lesão — sua presença confirma infecção por HPV (ao contrário dos calos que não têm capilares superficiais e mantêm os dermatóglifos). A crioterapia é o tratamento mais amplamente disponível e estudado, com taxa de cura de 70–80% em 3 sessões. A resolução espontânea é real mas imprevisível — pode levar meses a anos.

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