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Categoria: Biologia Cutânea
Ácido Hialurônico
Glicosaminoglicano linear não sulfatado de alto peso molecular (50.000 a 8.000.000 Da), naturalmente presente na matriz extracelular dérmica, fluido sinovial e humor vítreo. Na pele, é sintetizado pelos fibroblastos e queratinócitos via enzimas HAS (hialuronato sintases). Sua propriedade excepcional de reter água (1 grama retém até 6 litros de água — equivalente a 1.000x seu peso) é responsável pelo turgor, hidratação e volume dérmico. O teor cutâneo decresce ~50% dos 40 aos 60 anos. Outras Informações: O AH injetável é o preenchimento mais utilizado no mundo por ser reversível (hialuronidase dissolve o produto), biocompatível e com segurança comprovada em décadas. A obstrução vascular por AH injetado inadvertidamente em vaso é emergência que pode causar cegueira ou necrose tecidual — exige injeção imediata de hialuronidase (antídoto específico). O tamanho molecular do AH determina sua função: alto PM = estrutura e retenção hídrica; baixo PM = sinalizador inflamatório.
Ler maisBarreira Cutânea
Sistema multicomponente de proteção da pele composto por barreiras física, química, imunológica e microbiana. A barreira física é formada pelo estrato córneo — modelo 'tijolo e argamassa' (brick and mortar): corneócitos queratinizados ('tijolos') imersos em matriz lipídica lamelar estruturada de ceramidas, colesterol e ácidos graxos livres ('argamassa'). O pH ácido do manto lipídico (4,5–6,5) inibe patógenos e ativa enzimas de processamento de filagrina. A integridade da barreira cutânea determina a perda transepidérmica de água (TEWL — transepidermal water loss), o parâmetro objetivo mais utilizado para medir a função de barreira. Outras Informações: A TEWL (perda transepidérmica de água) é o principal parâmetro objetivo para medir a integridade da barreira cutânea em pesquisa e clínica especializada — valores normais variam por localização (face ~7–12 g/m²/h; dorso da mão ~10–15). Em dermatite atópica grave, TEWL pode triplicar o valor normal. A aplicação de emoliente em lactentes de alto risco genético (pais com DA) desde as primeiras semanas de vida pode reduzir em até 50% o risco de desenvolvimento de DA — resultado de estudos clínicos prospectivos de grande impacto.
Ler maisCélula de Langerhans
Célula dendrítica profissional de origem mieloide residente na epiderme (5–8% das células epidérmicas), localizada principalmente no estrato espinhoso. É a sentinela do sistema imune cutâneo: captura antígenos exógenos (alérgenos, microrganismos, haptenos) via receptor de manose e grânulos de Birbeck (organela característica, visível à microscopia eletrônica), migra para linfonodos regionais e apresenta antígenos a linfócitos T naïve, iniciando respostas imunes adaptativas. É a célula central na patogênese da dermatite de contato alérgica. Outras Informações: Os grânulos de Birbeck — organelas em formato de raquete visíveis apenas à microscopia eletrônica — são marcadores ultraestruturais patognomônicos das células de Langerhans. O CD1a e o receptor de lecitina Langerina (CD207) são marcadores imunohistoquímicos específicos usados no diagnóstico de histiocitose de Langerhans em biópsia. A exposição solar crônica reduz o número de células de Langerhans cutâneas — potencialmente contribuindo para a imunodeficiência local que favorece o surgimento de tumores cutâneos em pele fotoexposta.
Ler maisCélulas de Merkel (Estrutura)
Células epidérmicas altamente especializadas localizadas na camada basal da epiderme, particularmente abundantes nos lábios, polpas digitais, folículos pilosos e palato. Originadas da crista neural (ou do ectoderma — origem ainda debatida), funcionam como mecanorreceptores de toque suave e discriminação espacial em associação com terminações nervosas aferentes (Disco de Merkel). Possuem grânulos neuroendócrinos com neuropeptídeos (somatostatina, VIP, met-encefalina). São a célula de origem do Carcinoma de Células de Merkel (CCM) — neoplasia maligna rara e agressiva com associação ao poliomavírus de Merkel (MCPyV). Outras Informações: A função sensorial das células de Merkel é fundamental para habilidades táteis finas — músicos e artesãos têm maior densidade de discos de Merkel nas polpas digitais. O debate sobre a origem (crista neural vs. ectodérmica epidérmica) persiste na literatura — experimentos com rastreamento de linhagem celular sugerem origem epidérmica para a maioria das células de Merkel cutâneas. A associação com o MCPyV (descoberto em 2008 por Chang e Moore) foi o grande avanço recente — vírus presente em 80% dos CCM, com oncoproteínas T que inativam pRb e p53.
Ler maisCeramidas
Lipídios esfingolipídicos que constituem aproximadamente 50% da composição lipídica do estrato córneo, formando a estrutura lamelar que determina a função de barreira da pele. Junto aos ácidos graxos livres e ao colesterol (na proporção 1:1:1), as ceramidas preenchem os espaços intercelulares das células córneas como um 'cimento' hidrofóbico, controlando a perda transepidérmica de água (TEWL) e impedindo a penetração de alérgenos, irritantes e microrganismos. Existem pelo menos 12 subclasses de ceramidas na pele humana. Outras Informações: A reposição tópica de ceramidas é a pedra angular do tratamento da dermatite atópica e da pele seca crônica. Estudos demonstram que emolientes com ceramidas reduzem a frequência de surtos de dermatite atópica. A barreira cutânea é muito mais que estética — é o primeiro e principal escudo imunológico da pele. A pesquisa de novas ceramidas sintéticas e pseudoceramidas é área de intensa investigação cosmético-farmacológica.
Ler maisColágeno
Proteína fibrosa mais abundante do corpo humano (30% de todas as proteínas), constituindo 70–80% do peso seco da derme. É sintetizado pelos fibroblastos dérmicos em forma de pró-colágeno, que sofre processamento extracelular para formar fibrilas que se organizam em fibras. Existem 28 tipos de colágeno identificados; na pele, os tipos I (90%, resistência tênsil) e III (fibras reticulares, elasticidade) são predominantes. A síntese é dependente de vitamina C (cofator essencial da prolil e lisil hidroxilase). Outras Informações: O colágeno não pode ser absorvido intacto pela pele — cremes de 'colágeno' hidratam pela oclusão mas não repõem colágeno diretamente. A síntese de colágeno novo requer estímulo físico (microagulhamento, laser, radiofrequência) ou bioquímico (retinoides, vitamina C, bioestimuladores). Os peptídeos de colágeno oral sofrem digestão e chegam como aminoácidos — estudos sugerem melhora de hidratação e elasticidade mas a intensidade do efeito é variável.
Ler maisDerme
Camada de tecido conjuntivo situado entre a epiderme e a hipoderme, de origem mesodérmica. Constituída por fibroblastos, mastócitos, macrófagos, plasmócitos e células dendríticas imersos em matriz extracelular rica em colágeno (tipos I e III — 70–80%), elastina, proteoglicanos e glicosaminoglicanos (ácido hialurônico, condroitim sulfato, heparan sulfato). Divide-se em derme papilar (superficial, fina, logo abaixo da epiderme, com papilas dérmicas) e derme reticular (mais espessa, colágeno organizado em feixes paralelos à superfície). Contém plexos vasculares, terminações nervosas, glândulas e folículos. Outras Informações: A derme é o alvo primário de praticamente todos os procedimentos antiaging — desde o microagulhamento até a radiofrequência e o HIFU. O volume e a qualidade da matriz extracelular dérmica determinam em grande parte o aspecto jovem ou envelhecido da pele. A perda de colágeno dérmico (~1% ao ano após os 25 anos) e de ácido hialurônico são os principais determinantes do fotoenvelhecimento e do envelhecimento cronológico facial.
Ler maisElastina
Proteína fibrilar da derme responsável pela propriedade de elasticidade da pele — capacidade de deformar-se sob tensão e retornar à forma original. As fibras elásticas representam 2–4% do peso seco da derme e são produzidas pelos fibroblastos. Diferente do colágeno, a elastina é altamente durável (meia-vida de décadas), mas com capacidade de regeneração extremamente limitada no adulto. É composta por tropoelastina (unidade solúvel) e uma rede de microfibrilas (fibrilinas). Outras Informações: A elastina é uma das proteínas mais longevas do organismo — as fibras produzidas na infância podem durar décadas. Por isso, a prevenção do dano (fotoproteção, não fumar, evitar perda de peso brusca) é muito mais eficaz que o tratamento após a perda. As estrias são uma forma de cicatriz atrófica — nenhum tratamento as elimina completamente, mas precocidade e tratamento multimodal trazem melhora significativa.
Ler maisEpiderme
Camada mais externa da pele, de origem ectodérmica, formada por epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, avascular (nutrição por difusão a partir da derme papilar). Constituída por 5 camadas (de dentro para fora): estrato basal (germinativo — células-tronco foliculares e queratinócitos basais em divisão), estrato espinhoso (camada mais espessa — queratinócitos com desmossomos e corpos de Odland/grânulos lamelares), estrato granuloso (grânulos de querato-hialina com pró-filagrina), estrato lúcido (apenas na pele espessa palmoplantar) e estrato córneo (10–15 camadas de corneócitos mortos = barreira). Outras Informações: O estrato córneo é, paradoxalmente, a camada mais importante da epiderme do ponto de vista funcional — composto de corneócitos mortos em uma matriz lipídica estruturada ('tijolos e argamassa'). A semiologia dermatológica é fundamentada no reconhecimento das camadas afetadas pelas lesões: vesículas (espinhosa), pústulas, erosões (camadas superiores), úlceras (perdem derme), fissuras (córnea). O ciclo de renovação epidérmica se reduz para 3–5 dias na psoríase (normalmente 28 dias).
Ler maisFibroblasto
Principal célula mesenquimal da derme, responsável pela síntese, organização e remodelação da matriz extracelular dérmica. Os fibroblastos produzem colágeno (tipos I, III, V, VII), elastina, fibronectina, proteoglicanos e glicosaminoglicanos (incluindo ácido hialurônico via HAS). Possuem forma fusiforme e são ativados por fatores de crescimento (TGF-β, PDGF, FGF, IGF-1) liberados durante o processo de cicatrização. A ativação persistente e desregulada dos fibroblastos resulta em fibrose patológica (queloides, esclerodermia, morfeia). Outras Informações: Os bioestimuladores de colágeno injetáveis (PLLA e CaHA) agem estimulando fibroblastos dérmicos a produzirem colágeno de forma gradual e sustentada — os resultados aparecem em 4–8 semanas e duram 18–24 meses (PLLA) ou 12–18 meses (CaHA). O fibroblasto é o alvo primário de praticamente todos os procedimentos de rejuvenescimento dérmico. Na senescência, fibroblastos tornam-se 'senescentes' — produzem menos colágeno mas mais citocinas inflamatórias (SASP) que contribuem para o envelhecimento cutâneo.
Ler maisFilagrina
Proteína estrutural da diferenciação terminal dos queratinócitos, sintetizada como profilagrina no estrato granuloso e clivada na proteína madura durante a cornificação. A filagrina agrega as fibras de queratina em macrof ibrilas e posteriormente é degradada em aminoácidos que constituem o NMF (Natural Moisturizing Factor) — ácido urocânico, pirrolidona carboxilato e outros. O NMF é responsável pela capacidade de hidratação endógena do estrato córneo. Mutações no gene FLG (cromossomo 1q21) são o fator genético mais fortemente associado à dermatite atópica e à ictiose vulgar. Outras Informações: A descoberta das mutações em FLG como causa principal da dermatite atópica (Palmer et al., 2006 — Nature Genetics) foi uma revolução na compreensão da doença, mudando o paradigma de 'distúrbio imunológico primário' para 'disfunção de barreira como gatilho primário'. Confirma a hipótese 'outside-in': a barreira defeituosa permite penetração de alérgenos → ativação imune → eczema. Abriu o caminho para estratégias preventivas baseadas em emolientes desde o nascimento.
Ler maisGlândula Sebácea
Glândula exócrina holocrina (secreta liberando toda a célula — sebócito) associada à unidade pilossebácea, responsável pela produção e secreção do sebo. O sebo é uma mistura complexa de triglicerídeos (57%), ésteres de cera (26%), esqualeno (12%), ácidos graxos livres e colesterol. Suas funções incluem lubrificação e impermeabilização do pelo e da pele, formação do manto ácido lipídico (pH 4,5–6,5 — antibacteriano), atividade antifúngica e antiparasitária. A atividade sebácea é estimulada por andrógenos (testosterona → DHT via 5α-redutase tipo I nas glândulas). Outras Informações: As glândulas sebáceas das asas nasais, bochechas e couro cabeludo são as maiores e mais ativas do corpo — por isso essas regiões são as mais oleosas e propensas à acne e dermatite seborreica. O esqualeno sebáceo, quando oxidado pela exposição ao ozônio ambiental e UV, torna-se comedogênico — vínculo entre poluição e acne. A isotretinoína é o único agente capaz de reduzir permanentemente o volume glandular sebáceo (em ~35–58%).
Ler maisGlândula Sudorípara Apócrina
Glândula tubular enovelada, maior que a écrina, localizada exclusivamente em axilas, região anogenital, aréolas mamárias, pavilhão auricular e pálpebras (glândulas de Moll). Diferente das écrinas, as glândulas apócrinas drenam para o infundíbulo folicular (não diretamente na superfície). A secreção é viscosa, branco-leitosa, inodora quando recém-secretada — o odor característico (bromidrose) resulta da degradação bacteriana dos lipídeos e proteínas por bactérias da microbiota (Corynebacterium sp., Staphylococcus sp.). A função humana das glândulas apócrinas como produtoras de feromônios é controversa. Outras Informações: A Hidradenite Supurativa é uma das dermatoses mais debilitantes — dor crônica, cicatrizes desfigurantes e impacto psicossocial comparável a doenças neurológicas graves. A nomenclatura 'hidradenite' é equivocada — a inflamação é folicular primária, não das glândulas apócrinas. O adalimumabe (Humira®) foi o primeiro biológico aprovado para HS moderada a grave (FDA 2015) com eficácia comprovada em redução de abscessos. O secuquinumabe (Cosentyx®) foi o segundo aprovado em 2023.
Ler maisGlândula Sudorípara Écrina
Glândula tubular simples, enovelada, distribuída por toda a superfície corporal (2–4 milhões no total, densidade máxima em palmas e plantas — 600/cm²), que secreta suor diretamente na superfície cutânea via ducto reto sem relação com folículo piloso. A secreção écrina é aquosa, hipotônica, levemente ácida (pH 4–6), composta por água (99%), NaCl, KCl, lactato, uréia, imunoglobulinas e dermicidina (peptídeo antibacteriano). É o principal mecanismo humano de termorregulação por evaporação. Inervação colinérgica simpática (acetilcolina — diferente de outros efetores simpáticos que são adrenérgicos). Outras Informações: A miliária rubra ('brotoeja') é extremamente comum em lactentes e adultos em ambientes quentes e úmidos — não é infecção, é obstrução mecânica do ducto écríno por queratinização excessiva na calor. A dermicidina — peptídeo produzido pelas glândulas écrinas — tem atividade antimicrobiana comprovada contra S. aureus, E. coli e C. albicans, contribuindo para a defesa inata cutânea.
Ler maisGlicosaminoglicanos
Polissacarídeos longos e lineares compostos por unidades dissacarídicas repetidas, altamente hidrofílicos, que constituem componentes fundamentais da matriz extracelular dérmica. Os principais glicosaminoglicanos (GAGs) cutâneos são: ácido hialurônico (não sulfatado — o mais abundante, responsável pela hidratação e viscosidade dérmica), condroitim sulfato (associado ao colágeno dérmico), heparan sulfato (membranas basais) e dermatam sulfato. Os GAGs sulfatados são covalentemente ligados a proteínas centrais formando proteoglicanos (decorina, versicana, sindecana). Retêm água (1g retém ~500 mL) e regulam a organização do colágeno. Outras Informações: Os proteoglicanos são muito mais que espaçadores estruturais — são reguladores ativos de fatores de crescimento (FGF, TGF-β ligam-se ao heparan sulfato, modulando sua biodisponibilidade). A decorina, proteoglicano dérmico ligado ao colágeno tipo I, regula a organização das fibrilas de colágeno — sua ausência resulta em fibras desorganizadas e pele frágil. Em cosméticos, GAGs sulfatados (condroitim sulfato) aparecem como humectantes com evidência de melhora de hidratação comparável ao AH.
Ler maisHipoderme (Tela Subcutânea)
Camada mais profunda da pele, localizada abaixo da derme, composta por lóbulos de adipócitos organizados por septos de tecido conjuntivo fibroso. Não é considerada tecnicamente parte da pele (ectoderme), mas tem funções essenciais: isolamento térmico, reserva energética (triglicerídeos nos adipócitos), amortecimento mecânico, sustentação de estruturas dérmicas e produção de leptina e outras adipocinas. A espessura varia por localização anatômica, sexo (predomina nos quadris/coxas nas mulheres; no abdômen nos homens) e estado nutricional. Outras Informações: O eritema nodoso — paniculite septal mais comum — é frequentemente um diagnóstico de síndrome (não doença isolada): 30% são idiopáticos, mas causas identificáveis incluem streptococo, sarcoidose, tuberculose, doença inflamatória intestinal e medicamentos (sulfas, anticoncepcionais). O lipedema é cronicamente subdiagnosticado em mulheres, sendo confundido com obesidade simples — mas não responde a dieta e exercício.
Ler maisInervação Cutânea
A pele é ricamente inervada por fibras sensoriais e autonômicas. Fibras sensitivas: fibras Aβ mielinizadas (mecanorreceptores — toque discriminativo, vibração), fibras Aδ delgamente mielinizadas (frio, dor aguda), fibras C amielínicas (calor, dor crônica, prurido — fibras TRPV1+ e TRPA1+). Receptores especializados: corpúsculos de Meissner (toque leve — pontas dos dedos), corpúsculos de Vater-Pacini (pressão e vibração), terminações de Ruffini (tensão cutânea), discos de Merkel (toque suave). Fibras autonômicas colinérgicas inervam as glândulas sudoríparas écrinas; adrenérgicas, os vasos sanguíneos e músculos eretores. Outras Informações: A densidade de fibras nervosas intraepidérmicas (IENFD — intraepidermal nerve fiber density) medida em biópsia cutânea de 3 mm com imunofluorescência anti-PGP9.5 é o padrão ouro para diagnóstico de neuropatia de fibras finas — condição frequentemente subdiagnosticada em diabéticos e em síndrome de fibromialgia. A capsaicina (pimenta) dessensibiliza fibras C por depleção de substância P — o patch de capsaicina 8% (Qutenza®) tem efeito de até 12 semanas de alívio de dor neuropática.
Ler maisMastócito
Célula imune residente na derme, originada de precursores mieloides da medula óssea, que se diferencia em tecido (não circula como mastócito maduro). Possui grânulos citoplasmáticos ricos em mediadores pré-formados: histamina (vasodilatação, prurido), heparina, triptase, quimase, leucotrienos, prostaglandinas e citocinas (TNF-α, IL-4). A degranulação é ativada por IgE específica (reações alérgicas — IgE liga-se ao receptor FcεRI de superfície) ou por estímulos não-IgE (frio, calor, pressão, veneno). É a célula efetora principal da urticária e da anafilaxia. Outras Informações: O sinal de Darier — urticação e eritema de lesão de mastocitose ao roçar suavemente — é um sinal clínico de valor diagnóstico imenso e simples de realizar no consultório. A triptase sérica >20 ng/mL é fortemente sugestiva de mastocitose sistêmica. Pacientes com mastocitose têm risco aumentado de anafilaxia grave a picadas de insetos — indicando imunoterapia específica e prescrição de adrenalina autoinjetável.
Ler maisMelanócito
Célula dendrítica de origem neural (crista neural) localizada na camada basal da epiderme (1 melanócito para cada 10–36 queratinócitos), responsável pela síntese e distribuição de melanina — o principal pigmento protetor da pele humana. A melanina é produzida nos melanossomos (organelas especializadas) e transferida via prolongamentos dendríticos aos queratinócitos vizinhos ('unidade epidérmica de melanização' — 1 melanócito abastece 36 queratinócitos). Existem dois tipos: eumelanina (marrom-preta, fototoprotetora) e feomelanina (amarelo-vermelha, menor foto-proteção, maior risco UV em fototipos baixos). Outras Informações: O número de melanócitos é relativamente constante entre diferentes etnias e fototipos — o que difere é a atividade, tamanho dos melanossomos e a razão eumelanina/feomelanina. Fototipos mais escuros (VI) têm melanossomos maiores, mais numerosos e individualizados nos queratinócitos — proporcionando maior fotoproteção endógena (equivalente a FPS 13 no fototipo VI vs. FPS 3 no fototipo I). A tirosinase é a enzima limitante da melanogênese e o principal alvo terapêutico dos despigmentantes.
Ler maisMicrobioma Cutâneo
Conjunto de microrganismos (bactérias, fungos, vírus, ácaros e arqueas) que habitam a superfície e os anexos da pele humana em relação de comensalismo ou simbiose. Estima-se 1 trilhão de microrganismos na pele total de um adulto. As bactérias predominam: Cutibacterium acnes (regiões sebáceas), Staphylococcus epidermidis (zonas úmidas), Corynebacterium (axila), Malassezia sp. (regiões sebáceas). O microbioma saudável exerce funções essenciais: proteção por competição (colonização resistente), modulação imune, produção de bacteriocinas e manutenção do pH ácido. Outras Informações: O microbioma cutâneo é individualmente único — como uma impressão digital microbiana — influenciado por genética do hospedeiro, dieta, ambiente e estilo de vida. A higiene excessiva destrói a flora protetora e favorece a colonização por patógenos. Os banhos de hipoclorito de sódio (1 colher de café por balde de água morna) são estratégia simples e de alto impacto para pacientes com DA grave e impetiginização recorrente por S. aureus.
Ler maispH Cutâneo
O manto ácido da pele — camada lipídica na interface epiderme-ambiente — tem pH entre 4,5 e 6,5 (levemente ácido). Este ambiente ácido é produzido pela secreção de ácidos graxos (sebo), ácido lático (suor), aminoácidos (NMF) e pela atividade de enzimas como serina proteases (dependentes do pH). O pH ácido é essencial para: função de barreira ideal (ativação de enzimas de processamento lipídico e de filagrina), inibição de patógenos (S. aureus cresce melhor em pH neutro-alcalino), e modulação do microbioma cutâneo (favorece flora comensal protetora). Outras Informações: O pH 5,5 da pele saudável é um dos parâmetros mais estudados e confirmados em dermatologia — entretanto, a maioria dos sabonetes comuns tem pH entre 9 e 10, alcalinizando a pele por horas após o banho. Syndets (synthetic detergents — 'syndet bars') têm pH 5,5 e não alteram o manto ácido. A importância do pH cutâneo é reconhecida como fator central no desenvolvimento e manutenção da barreira cutânea — com implicações diretas na DA, psoríase e envelhecimento.
Ler maisProteoglicanos Dérmicos
Macromoléculas constituídas por proteína central (core protein) à qual estão covalentemente ligadas uma ou mais cadeias de glicosaminoglicanos (GAGs). Os principais proteoglicanos dérmicos são: decorina (dermatan sulfato ligado a colágeno tipo I — regula diâmetro e espaçamento das fibrilas), versicana (condroitim sulfato — preenche a matriz e regula adesão celular), biglicano (dermatan sulfato — associado à zona de membrana basal), perlecana (heparan sulfato — membrana basal e vascular). Funcionam como organizadores da MEC, reservatórios de fatores de crescimento (FGF, TGF-β, VEGF ligam-se a GAGs) e reguladores da migração e proliferação celular. Outras Informações: A decorina merece destaque especial: além de organizar as fibrilas de colágeno, sequestra TGF-β latente — quando a decorina é degradada (ex.: ferida), o TGF-β é liberado e estimula fibroblastos, iniciando a cascata de cicatrização. A decorina é também estudada como agente anti-fibrótico terapêutico — administração exógena inibe fibroses em modelos animais. 'Decorin' + 'decorate' + 'decorum' — o nome reflete sua função de 'decorar' e organizar a matriz de colágeno.
Ler maisQueratinócito
Célula mais abundante da epiderme (90–95% das células epidérmicas), responsável pela formação da barreira cutânea e pela produção de queratinas (proteínas fibrilares estruturais). Os queratinócitos migram da camada basal (onde se dividem) em direção à superfície, passando por diferenciação terminal progressiva: de células vivas e metabolicamente ativas (camadas basal, espinhosa e granulosa) até corneócitos mortos e anucleados no estrato córneo. Durante esse processo (14 dias na epiderme + 14 dias no córneo = 28 dias total), produzem queratinas, filagrina, involucrina e lipídios estruturais (ceramidas, ácidos graxos). Outras Informações: Os queratinócitos não são células passivas — são ativos produtores de citocinas (IL-1, IL-6, TNF-α) que regulam respostas imunes na pele. A involucrina é um marcador de diferenciação queratinocítica — sua expressão normal é restrita ao estrato granuloso, mas na psoríase aparece desde o estrato espinhoso (diferenciação prematura). A 'escama' dermatológica é formada por acúmulo de corneócitos mortos — sua análise ao microscópio pode revelar o agente etiológico (esporos e hifas em micoses, células acantolíticas em pênfigo).
Ler maisSMAS (Sistema Músculo-Aponeurótico Superficial)
O Sistema Músculo-Aponeurótico Superficial (SMAS) é uma camada fibromuscular contínua localizada entre a pele e as estruturas ósseas e musculares profundas da face, pescoço e couro cabeludo. Foi descrita por Mitz e Peyronie em 1974. Funciona como unidade mecânica de transmissão: conecta os músculos mímicos profundos ao tegumento, transmitindo os movimentos de expressão facial. No envelhecimento, o SMAS sofre ptose gravitacional com relaxamento das estruturas fibrosas de sustentação (ligamentos retinaculares), resultando em flacidez facial e aprofundamento de sulcos. Outras Informações: O SMAS é o principal alvo da ritidoplastia (lifting facial) — a cirurgia que age neste plano tem resultados superiores e mais duradouros às que agem apenas na pele. O HIFU (Ultherapy® foi o primeiro aprovado pelo FDA para lifting não cirúrgico de sobrancelhas) representa a única tecnologia não invasiva que comprovadamente alcança o plano do SMAS com precisão. A nomenclatura 'SMAS' em publicidade de equipamentos é frequentemente usada de forma imprecisa — qualquer tecnologia que não alcance 4–4,5 mm de profundidade não trata o SMAS verdadeiro.
Ler maisUnidade Pilossebácea
Estrutura funcional composta pelo folículo piloso, glândula sebácea associada e músculo eretor do pelo (arrector pili). O folículo piloso é um órgão miniaturizado com capacidade de regeneração ciclíca autônoma, composto por: bulbo (zona de proliferação ativa), haste (coluna de queratinócitos diferenciados), bainha radicular interna e externa, e epiderme infundibular. O ciclo do folículo piloso compreende três fases: anágeno (crescimento — 2–7 anos), catágeno (transição — 2–4 semanas) e telógeno (repouso — 3 meses), seguido de exógeno (queda). A unidade pilossebácea é o sítio de origem da acne e das dermatofitoses foliculares. Outras Informações: O 'bulge' folicular — região do istmo do folículo piloso abaixo da inserção do músculo eretor — contém células-tronco foliculares multipotentes que regeneram o folículo a cada ciclo. A destruição do bulge por inflamação cicatricial é irreversível — daí a importância do diagnóstico precoce das alopecias cicatriciais. O folículo piloso é também uma via de penetração cutânea para moléculas grandes que não penetram pelo estrato córneo — princípio explorado para drug delivery transfoliculate.
Ler maisVascularização Cutânea
A pele possui sistema vascular organizado em plexos (não capilarização direta): plexo superficial subpapilar (na junção derme papilar-reticular) e plexo profundo (na junção derme-hipoderme), interconectados por vasos comunicantes. A epiderme é AVASCULAR — nutrição exclusivamente por difusão a partir das papilas dérmicas. Cada papila dérmica contém uma alça capilar. Funções: nutrição tecidual, termorregulação (vasodilatação/vasoconstrição), pressão oncótica, transporte de células imunes e mediadores inflamatórios. Telangiectasias, púrpura e alterações vasculares são semiologia vascular cutânea fundamental. Outras Informações: A vitropressão (diascopia) — pressionar a lesão com lâmina de vidro transparente e observar se ela desaparece — é um dos testes semiológicos mais simples e informativos da dermatologia. Eritema desaparece (vasodilatação); púrpura não desaparece (hemácias extravasadas). Hemangiomas da infância têm involução espontânea em 90% dos casos até os 10 anos, mas o propranolol acelera drasticamente a involução e previne complicações (ulceração, obstrução visual).
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