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Patologias Infecciosas

Leishmaniose Tegumentar Americana

Definição Científica

Doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos fêmeas infectadas (Lutzomyia longipalpis e outros). Apresenta espectro clínico variável — da forma cutânea localizada (úlcera de Bauru) à mucosa grave (forma mucocutânea ou espúndia). No Brasil, as principais espécies são L. braziliensis (forma mucosa) e L. amazonensis.

Outras Informações:
A forma mucocutânea (L. braziliensis) pode surgir anos após a cura da lesão cutânea inicial — todo paciente tratado de leishmaniose cutânea deve ser monitorado por 2 anos para sinais mucosos (obstrução nasal, epistaxe, disfagia). A coinfecção Leishmania + HIV é emergência de saúde pública com prognóstico grave e recidivas frequentes.

Causas e Fatores de Risco

- Picada de flebotomíneo infectado (mosquito-palha/birigui) — transmissão vetorial
- Residência ou atividade em áreas endêmicas (zona rural, beira de mata, garimpo)
- Desmatamento e invasão de áreas silvestres (modifica o hábitat do vetor)
- Imunossupressão (HIV — coinfecção grave com disseminação visceral)
- Ausência de proteção contra picadas de insetos
- Distribuição endêmica em todos os estados brasileiros, com foco no Norte e Nordeste

Sintomas e Manifestações

- Forma cutânea: úlcera arredondada com bordas elevadas em moldura (aspecto vulcânico), fundo granuloso, indolor
- Localização nas áreas expostas (face, membros) em correspondência à picada do vetor
- Adenopatia satélite regional
- Forma mucocutânea: destruição progressiva de mucosas (septo nasal, palato, laringe) — desfigurante e grave
- Forma difusa: múltiplas lesões nodulares em imunocomprometidos (L. amazonensis)
- Ausência de febre na forma cutânea localizada

Como a Clínica Santa Catarina Aborda?

- Antimonial pentavalente: Antimoniato de N-metilglucamina (Glucantime®) — primeira linha no Brasil (20 mg/kg/dia IM ou IV por 20–30 dias)
- Anfotericina B desoxicolato e lipossomal — casos graves, falha terapêutica, gestantes e imunossuprimidos
- Pentamidina — alternativa em casos resistentes
- Miltefosina oral — aprovado em alguns países como alternativa
- Monitorização de função renal, hepática e cardíaca (QTc) durante antimonioterapia

Quando procurar o médico?

Toda úlcera crônica sem dor, de bordas elevadas, em indivíduo com histórico de exposição em área endêmica deve ser investigada. O diagnóstico requer confirmação parasitológica (escarificação, biópsia ou IFI), pois o tratamento é tóxico e específico.

Referências / Fontes: - Ministério da Saúde — Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar, 2017
- Caderno de Atenção Básica Nº 9 — Dermatologia, MS, 2002
- Dermatologia Clínica: Princípios e Práticas — Quipá Editora, 2024, Cap. 7
- Azulay, R.D. — Dermatologia, 7ª ed., Guanabara Koogan
- OMS — WHO — Control of the Leishmaniases, 2010

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