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OBESIDADE: O SEGREDO NÃO É SÓ EMAGRECER

Publicado em 11 DE SETEMBRO DE 2026

OBESIDADE: O SEGREDO NÃO É SÓ EMAGRECER

Manter a Perda de Peso é a Nova Fronteira

Os medicamentos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, revolucionaram o tratamento da obesidade ao proporcionar perdas de peso antes consideradas difíceis de alcançar apenas com dieta e atividade física. Contudo, uma nova realidade vem sendo discutida pela comunidade científica pois o maior desafio não é emagrecer mas manter o peso perdido ao longo dos anos.

Sabe-se que um dos maiores benefícios dos agonistas do GLP-1 é o de diminuir o chamado “ruído alimentar” (food noise) que é caracterizado pelos pensamentos constantes sobre comida, vontade frequente de comer e busca por alimentos altamente palatáveis.

Estudos recentes mostram que aproximadamente 60% do peso perdido pode ser recuperado após um ano da interrupção da medicação, chegando a até 75% após dois anos em parte dos pacientes. Esses números, entretanto, não devem ser interpretados como uma condenação inevitável, mas como um alerta de que a fase de manutenção exige planejamento e acompanhamento tão cuidadosos quanto o período inicial de emagrecimento.

Assim como ocorre na hipertensão arterial ou no diabetes mellitus, a melhora dos sintomas não significa que a doença desapareceu.

Como mostra a história do tratamento da obesidade, durante muitos anos o tratamento era baseado em proibições. Hoje ele passa a ser baseado em planejamento. À primeira vista, essa diferença parece pequena, mas modifica completamente a relação do paciente com a doença, pois essa mudança reduz a culpa e aumenta a adesão ao tratamento.

Afinal, a balança não é o único indicador de sucesso e esse é um ponto extremamente importante. A manutenção do peso perdido deve considerar vários itens como a circunferência abdominal, a composição corporal, o controle da glicemia, da pressão arterial, do colesterol, um bom condicionamento físico e boas qualidades de sono, da autoestima e da saúde mental.

Por isso, manter o peso perdido não depende apenas da alimentação. Tem-se que levar em consideração vários fatores. O exercício físico, por exemplo, especialmente o treinamento resistido, desempenha papel decisivo na preservação da massa muscular, na manutenção do metabolismo basal e na prevenção do reganho de gordura. Caminhadas regulares, atividades aeróbicas e, sobretudo, musculação duas ou mais vezes por semana constituem uma combinação altamente recomendada para pacientes em uso ou após a suspensão dos agonistas do GLP-1.

Outro aspecto inovador é a importância do comportamento alimentar. O tratamento moderno da obesidade ultrapassa a simples prescrição de medicamentos e incorpora algumas estratégias relacionadas a Psicologia Cognitivo-Comportamental, como identificar gatilhos emocionais, planejar previamente situações de risco e construir respostas antecipadas para desafios cotidianos. Estratégias pensadas para determinadas situações reduzem decisões impulsivas e fortalecem a adesão aos novos hábitos.

Por outro lado, o ambiente influencia tanto quanto a força de vontade. Hoje, existe amplo consenso de que decisões alimentares são altamente influenciadas pelo ambiente. Por isso, alguns cuidados contribuem para um tratamento saudável como deixar frutas visíveis, retirar doces da visão rotineira, preparar refeições previamente e levar lanches saudáveis quando necessário. Esses cuidados ajudam a reduzir decisões impulsivas.

Da mesma forma, a adesão ao tratamento pode ser aprimorada com medidas simples como escolher um dia fixo para a aplicação semanal do medicamento, registrar as doses utilizadas, acompanhar sintomas e utilizar lembretes eletrônicos. Essas estratégias reduzem esquecimentos, facilitam o acompanhamento clínico e permitem decisões terapêuticas mais precisas.

Outro ensinamento importante é compreender que recaídas fazem parte da evolução natural da obesidade. Assim, viagens, períodos de maior estresse, mudanças na rotina ou pequenas oscilações de peso não representam fracasso. Pelo contrário, devem ser encaradas como oportunidades para reorganizar a rotina.

Por fim, os agonistas do GLP-1 representam um dos maiores avanços da medicina contemporânea no tratamento da obesidade, mas seu verdadeiro potencial somente se concretiza quando são inseridos em um plano abrangente de cuidado. Emagrecer é uma conquista importante, mas manter os resultados com saúde, preservando a massa muscular, o equilíbrio emocional e a qualidade de vida, é o objetivo que realmente define o sucesso do tratamento.

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Escrito por Dr. João Modesto

CRM-PB 973 / RQE 1026

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