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A IMPORTÂNCIA DA ESTÉTICA NO TRATAMENTO DA OBESIDADE

Publicado em 20 DE ABRIL DE 2026

COLUNA SAÚDE — Dr. João Modesto Filho
Médico Endocrinologista — CRM PB 973 | RQE 1026

A IMPORTÂNCIA DA ESTÉTICA NO TRATAMENTO DA OBESIDADE

A obesidade tem se tornado, particularmente nos últimos 50 anos, uma verdadeira epidemia global, cuja prevalência tem mais do que dobrado em muitos países. O número de pessoas com obesidade já ultrapassou a casa de 1 bilhão em 2022, mostrando uma tendência impressionante de aumento em todo o mundo.

No Brasil, o quadro também é assustador, pois a prevalência de obesidade na população adulta aumentou 118% entre 2006 e 2024, saltando de 12% para cerca de 26%, segundo dados da pesquisa Vigitel. Junto a isso, o sobrepeso e a obesidade deverão atingir cerca de 60% da população adulta, segundo estimativas para esse ano.

Por conta disso, o tratamento da obesidade é fundamental para controlar ou prevenir mais de 200 doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono e vários tipos de câncer. Além de crônica, ela é considerada uma doença multifatorial e seu tratamento procura reduzir o risco de eventos fatais, como infarto do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC), além de melhorar a qualidade de vida, a mobilidade e a saúde mental.

Nesses termos, a antiga visão da estética como mera vaidade para tratamento da obesidade não é mais aceita, o que leva a uma abordagem multidisciplinar, na qual a pele é compreendida como algo diretamente afetada pelas rápidas mudanças corporais, até porque é um órgão tanto endócrino como metabólico. Nesse sentido, a estética não é um detalhe apenas superficial, mas um componente crítico da saúde integral e da manutenção do peso a longo prazo.

Assim é que, quando ocorre uma perda ponderal acentuada, seja por intervenção farmacológica de substâncias da nova geração como semaglutida ou tirzepatida, ou mesmo a cirurgia bariátrica, o esvaziamento dos compartimentos de gordura ocorre numa velocidade tal que a retração cutânea muitas vezes não consegue acompanhar. Como resultado, temos a flacidez tecidual e a perda de volume estrutural, especialmente na face (alguns chamam de "face da semaglutida") e, muitas vezes, surge um sofrimento psíquico relevante. Ignorar esse desfecho no planejamento terapêutico é falhar no acolhimento das expectativas da paciente.

Por isso, o processo de emagrecimento frequentemente pode trazer um paradoxo emocional. Embora os exames laboratoriais indiquem "saúde", o espelho do dia a dia pode mostrar uma imagem de envelhecimento precoce ou de um corpo que fica estranho devido ao excesso de pele. Essa dissonância entre a saúde interna e a aparência externa pode levar à dismorfia corporal, impactando a autoestima e, em casos graves, desmotiva a continuidade dos hábitos saudáveis, gerando o temido efeito sanfona.

Nesse sentido, a abordagem atual defende que o cuidado estético deve ser preventivo e concomitante ao tratamento metabólico. Isso envolve, segundo a orientação atual, um suporte nutricional proteico, que é essencial para a preservação da massa magra e suporte à síntese de colágeno; o cuidado com os tecidos, com o uso de bioestimuladores de colágeno e tecnologias de firmamento cutâneo antes que a flacidez se torne irreversível; e a saúde mental, com acompanhamento psicológico para o cuidado com a autoimagem durante a transição física.

Afinal, o excesso de pele não é apenas uma questão visual, pois pode causar desconforto físico, dermatites nas dobras e limitação da mobilidade. Portanto, a estética deve ser integrada ao tratamento clínico como uma ferramenta de funcionalidade e bem-estar, com o valioso auxílio, dentre outras especialidades multiprofissionais, da dermatologia e da cirurgia plástica.

Em suma, tratar a obesidade exige um olhar multidisciplinar, sendo fundamental informar o paciente sobre as transformações estéticas desde o início do tratamento e estabelecendo uma relação de transparência e cuidado ético. Afinal, o tratamento da obesidade com o estabelecimento da saúde manifesta-se quando o indivíduo não apenas vive mais, mas sente-se plenamente confortável e reconhecido na própria imagem.

Edição Semanal | João Pessoa - PB | 20/04/2026

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Escrito por Dr. João Modesto

CRM-PB 973 / RQE 1026

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