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Condições Clínicas

Tricotilomania

Definição Científica

Transtorno do controle do impulso (classificado no DSM-5 e CID-11 como transtorno obsessivo-compulsivo relacionado) caracterizado pela compulsão de arrancar os próprios pelos ou cabelos, resultando em alopecia não cicatricial de padrão bizarro. Acomete principalmente crianças (5–12 anos — curso transitório) e adolescentes/adultos jovens (curso crônico, pior prognóstico). Frequentemente associado a depressão, ansiedade, TOC e outros distúrbios de controle do impulso (tricofagia — ingestão dos pelos, risco de tricobezoar).

Outras Informações:
A tricotilomania é frequentemente mal diagnosticada como alopecia areata — o diferencial dermoscópico é fundamental: AA tem fios em ponto de exclamação e pontos amarelos; tricotilomania tem fios quebrados a alturas variadas e fios em V. A sensação de prazer ou alívio durante o arrancar é característica patognomônica — distingue de hábito nervoso. Tricobezoar ('síndrome de Rapunzel' — extensão do bezoar intestinal) pode causar obstrução intestinal fatal.

Causas e Fatores de Risco

- Estresse emocional e psicológico
- Predisposição genética para transtornos obsessivo-compulsivos
- Comorbidades psiquiátricas: ansiedade, depressão, TOC
- Abuso ou trauma psicológico (fator desencadeante frequente)
- Duas formas comportamentais: automática (sem percepção) e focada (deliberada)

Sintomas e Manifestações

- Alopecia de padrão geométrico ou irregular, com fios quebrados de comprimentos diferentes
- Tricoscopia (dermoscopia): fios quebrados a diferentes alturas, fios em formato de 'V' (dois fios saindo do mesmo folículo — fraturas), pontos negros, fios ondulados
- Poupamento de área central do couro cabeludo (inacessível à própria mão)
- Tricofagia: ingestão dos pelos — pode causar tricobezoar (bola de pelos no TGI — emergência cirúrgica)
- Geralmente o paciente nega o comportamento

Como a Clínica Santa Catarina Aborda?

- Terapia cognitivo-comportamental (TCC) com inversão de hábito — primeira linha, evidência mais forte
- N-acetilcisteína 1.200–2.400 mg/dia — reduz comportamento compulsivo em estudos randomizados
- Clomipramina (ISRN): aprovado para TOC — eficácia em tricotilomania
- SSRI (fluoxetina) — evidência mais limitada para tricotilomania vs. TCC
- Minoxidil tópico: estímulo do anágeno durante recuperação (tonsura resolve com cessação do comportamento)

Quando procurar o médico?

Alopecia com padrão bizarro em criança ou adolescente — diagnóstico clínico-dermoscópico e encaminhamento para avaliação psiquiátrica/psicológica são simultâneos. Tricobezoar é emergência cirúrgica.

Referências / Fontes: - Azulay, R.D. — Dermatologia, 7ª ed., Guanabara Koogan
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- Chamberlain SR et al. — 'Trichotillomania: neurobiology and treatment', Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2009

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